As necessidades da Educação Infantil e a busca pela construção de uma identidade feirense foram dois dos temas abordados na programação vespertina do seminário Repensar Feira, que acontece hoje (05) no campus da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).
No evento, estão sendo discutidos aspectos relacionados à vida da cidade e está sendo articulada a construção do Observatório da Cidade, que tem a finalidade de organizar e sistematizar o conhecimento produzido sobre Feira de Santana.
Na mesa redonda Educação, Memória e Cultura, a professora Sandra Nívea Soares apontou deficiências na educação em Feira de Santana, destacando a situação da Educação Infantil.
"Há apenas 34 escolas exclusivas para a educação infantil. As demais funcionam junto com o Ensino Fundamental, o que não é correto", ressaltou a professora, lembrando que mobiliário, projeto pedagógico, espaços de lazer e de sociabilidade são diferentes nesses dois níveis de ensino, o que prejudica as crianças menores.
Ela observou que a oferta de vagas na Educação Infantil está muito abaixo das necessidades e criticou a opção pelos repasses para instituições filantrópicas. "Elas recebem recursos públicos, mas apresentam qualidade e condições de funcionamento muito questionáveis", apontou. Sandra Soares também discutiu o desempenho das escolas feirenses em exames como o IDEB, cujas notas são inferiores às metas estabelecidas. "É muito ruim o resultado da educação em Feira de Santana", apontou.
Memória
O professor Aldo José Morais discutiu a trajetória da construção da identidade feirense. Ele lembrou que cidades como Salvador, Cachoeira e Santo Amaro possuem identidades consolidadas e ressaltou a importância dessa condição para a autoestima dos cidadãos. "A identidade é importante porque ela diz quem somos. A autoestima coletiva depende disso, de saber quem somos", ressaltou.
Aldo Morais observou que construir uma identidade feirense depende que as pessoas aceitem uma característica marcante da cidade, "que é o fato da população não ser fixa e precisa, mas muito fluida, marcada por movimentos migratórios". Essa fluidez decorre de fenômenos como a migração e a expansão da população urbana a partir dos anos 1940.