Sentado na porta da Capela Nossa Senhora da Piedade, que fica anexa ao Hospital Dom Pedro de Alcântara. É assim que o Padre Carlos Vianey Oliveira tem passado todas as tardes, em protesto desde que foram trocadas as fechaduras da Capela, há pouco mais de uma semana. “Domingo eu celebrei aqui fora com o povo e vou celebrar de novo”, afirma.
Padre Vianey foi advertido no dia 22 de fevereiro, por conta de denúncias a seu respeito, cuja veracidade teria sido comprovada. No documento, assinado pelo Arcebispo Dom Zanoni Demettino Castro, consta que ele “tem ofendido pessoas, constrangendo fiéis com suas palavras, fazendo comentários indecorosos, impróprios a um sacerdote; que constantemente tem difamado presbíteros, o clero da arquidiocese”. A advertência convida-o a “repensar e refazer a conduta, para o vosso bem e de toda Igreja”.
O padre nega as acusações e alega que existe uma perseguição contra ele por motivo de inveja. “Jesus Cristo não foi caluniado, difamado pelos judeus e condenado à morte como um bandido, mas ele não foi fiel? Eu morro padre, mesmo que ele me expulse”.
A professora Anália Souza, que conhece Vianey há mais de 20 anos e sempre frequentou as missas com ele, diz que nunca o ouviu falar palavras agressivas.
Dom Zanoni afirma que o Padre foi transferido, o que faz parte do processo normal da Igreja. Ele esclarece que a igreja da qual Vianey era capelão, passou a ser administrada integralmente pela Igreja Senhor dos Passos, à qual já pertencia. O Padre será destinado a outra função, ainda em discussão pelo clero.
Monsenhor Luiz Rodrigues, que dirige a paróquia Senhor dos Passos, explica que “foi dado a ele um tempo de reflexão”, para, junto com seus superiores “fazer um caminho de reconstrução dessa vida dele que está muito questionável. Ele tem xingado, ofendido, falado mal da Igreja, ferido a doutrina da Igreja”. Ele conta que “diante do altar ele fala heresias e impropérios, diante dos padres e até diante dos mortos”.
O pároco afirma que a troca das fechaduras se deu por que a capela sofreu algumas reformas e “governo novo, as coisas mudam”, mesmo porque “não temos o controle de quem tem as chaves daquela igreja”.
QUESTÃO ANTIGA
“Há 12 anos, Dom Itamar (hoje arcebispo emérito) me suspendeu de tudo, disse que eu ia ser excluído de tudo”, conta Padre Vianey. Ele declara ainda que, desde lá, quando foi transferido da Paróquia de São José para a capela, conta apenas com um salário mínimo para viver, o que não é suficiente, já que ele é idoso e paga plano de saúde alto, além de outras despesas, e por isso depende de esmolas dos fiéis para viver.
O novo arcebispo assegura que essas afirmações não correspondem à verdade. “Eu conheço ele há pouco tempo e já conversei com ele, gostaria de acreditar nas palavras dele”, mas “vejo que é algo assim, fantasioso”.
Padre teria baixado as calças
Conforme o Padre Vianey, Dom Zanoni, ao adverti-lo, “disse que o povo não gostava de mim, que eu tinha um bocado de mau comportamento, que eu andei xingando padres na missa, que uma certa feita eu suspendi a túnica, baixei as calças e mostrei a trouxa ao povo” e que “se eu não mudasse, ia dar fim em mim, me tirar da diocese. Mas eu nunca fiz isso”, ele garante.
Monsenhor Rodrigues, no entanto, afirma que o fato é verídico e que ocorreu em 2005, quando ele recebeu a segunda provisão para migrar da Igreja de São José para a capela (a primeira ele teria desobedecido). Em protesto, ele teria baixado as calças para Dom Giovanni Crippa (hoje Bispo de Estância, em Sergipe) e Frei Beto.
