Como previsto, José Ronaldo era a quem todos queriam perguntar e a quem todos se referiam, quando pelas normas do debate na noite de ontem na TV Subaé, já não podiam direcionar a questão diretamente ao prefeito.
O inquirido, por sua vez, à medida que ia sendo provocado pelos adversários, passou a não se dirigir mais a eles, direcionando o olhar para a câmera e começando as respostas com “meu irmão, minha irmã”. Às vezes deixando inclusive de responder o perguntado, para expor propostas ou falar de realizações do período em que ocupa a chefia do Executivo. Foi o caso por exemplo da questão de Ângelo Almeida, que perguntou e insistiu na réplica mas não conseguiu uma resposta acerca dos “critérios para contratação de pessoal para a área de Saúde”, onde há muita gente trabalhando sem concurso, via cooperativas e por indicações políticas, sobretudo de vereadores.
Zé Neto também não logrou êxito na insistente provocação segundo a qual “Zé Ronaldo fechou a emergência e a maternidade do Dom Pedro”. Sem morder a isca para entrar no debate acerca da administração e distribuição dos recursos do SUS que chegam ao município, o prefeito respondia na linha do desentendido: “Eu? Não sou provedor. Não mandei fechar nada!” e ainda acrescentava: “Mandei foi abrir, quando assumi a gestão com meu grupo”. Neste caso fazia menção a um episódio de uma década atrás, quando a Santa Casa era gerida por um homônino do candidato a prefeito pelo PT e entrou em profunda crise, atrasando pagamento de salários, o que levou os funcionários a fazerem até manifestações na rua, situação que culminou numa intervenção decretada pela Justiça, após o que, o grupo político de José Ronaldo assumiu a direção, por meio do provedor Outran Borges.
No debate, o sorteio acabou projetando Ângelo Almeida, que por diversas vezes teve o direito a ser o primeiro a perguntar. Perguntava a Ronaldo, claro. Diferente da postura de sua pífia campanha no horário eleitoral, Ângelo mostrou-se firme no embate com o líder das pesquisas eleitorais.
Zé Neto é o adversário histórico do prefeito. O confronto aconteceu mas nada que escapasse à civilidade nem apresentasse qualquer novidade.
Jairo Carneiro não pôde perguntar a Ronaldo, e aproveitou a pergunta para Zé Neto para atacar o adversário do DEM, mencionando o mau desempenho da educação municipal nas avaliações do Ministério da Educação.
Até Jhonatas Monteiro usou desta estratégia, quando questionou Jairo sobre IPTU e aproveitou para chamar de “brutal” o aumento promovido na atual gestão.
Ronaldo também fez uma incursão na mesma tática, quando inquiriu Jhonatas sobre a falta de saneamento no entorno da Lagoa Grande, somente para inserir a crítica ao governo do estado, que por meio da Embasa é o responsável pelas obras.
Mas neste caso acabou sendo torpedeado de volta, porque Jhonatas criticou a política de fazer pavimentação onde não há saneamento e culpou o município por não ser mais proativo no setor, ao invés de esperar somente pela Embasa.
O ataque em todas as direções foi uma característica das intervenções de Jhonatas, que por exemplo, ao criticar o BRT de Ronaldo, trouxe a lembrança da eleição de 2012, em que Zé Neto propôs o Trivia, sistema que comparou ao atual, tanto pelo trajeto quanto pela forma de execução, “sem ouvir a população”, de acordo com o conceito do professor.
Aliás a profissão de Jhonatas proporcionou talvez a melhor troca de farpas do evento. Quando ele responsabilizou o município por problemas de saneamento Ronaldo observou que muito se admirava de um professor cobrar da prefeitura providência que cabia ao estado. Passaram-se muitos minutos até que Jhonatas conseguiu devolver, aproveitando que Ronaldo esquivou-se de abordar algum aspecto da pergunta sobre organização do centro da cidade. “Vou ser didático, como o senhor, disse, por ser professor, e explicar como resolver isso a partir de janeiro”.
Naturalmente houve muitos outros assuntos e aspectos do debate, que não dá para contemplar aqui, sob pena do texto tornar-se insuportavelmente longo.
A grande questão, que não pode ser respondida, pois não haverá pesquisa sobre isso, é que impacto o debate teve sobre o eleitor. Um candidato ficou sob fogo cerrado. Mas isso o prejudicou? Ou ele se saiu bem e acabou tirando vantagem do fato de ter sido o centro das atenções? Sobre isso, só haverá palpites.
