"Tenho que parabenizar Tourinho, que quando secretário, não liberou a licença, vetou a obra. A informação que a gente tem é que três, quatro dias depois que o secretário Maurício Carvalho assumiu, libera. No mínimo, tem uma interrogação."
A fala de José Carneiro, líder do governo José Ronaldo na Câmara, refere-se à obra de construção da segunda unidade do Atacadão em Feira de Santana, em terreno às margens da BR 324, que os vereadores alegam se tratar de área de proteção ambiental pertencente à Lagoa do Subaé.
O discurso do líder governista terminou em tom de ameaça. “Temos um governo que não permite, que não admite que aconteça no seu governo coisas que venham a denegrir a imagem. Tenha certeza que o prefeito José Ronaldo não permite e nem permitirá nunca que alguém use seu governo para fins outros. Não quero acreditar que alguém usou de má fé. Quero acreditar na idoneidade do secretario Maurício, do ex, Roberto Tourinho. Se algo errado acontecer, prepare a cabeça, porque José Ronaldo não perdoa".
Em abril, quando anunciou que a obra seria suspensa para realização de estudo hidrogeológico, o secretário Maurício Carvalho disse que a liberação tinha sido concedida ano passado, na gestão do ex-vereador Roberto Tourinho.
O assunto foi abordado por diversos vereadores na sessão desta terça-feira na Câmara, pois no dia anterior uma comissão deles foi ao local da obra. Voltaram dizendo de forma unânime que pelo que observaram trata-se mesmo de lagoa, mas a empresa responsável pela obra atua para rapidamente aterrar tudo e construir um muro.
José Carneiro, criticou o fato do estudo hidrogeológico ter sido contratado pela própria empresa interessada na construção. “A secretaria permitiu que a empresa contratasse uma outra para dar um parecer. É esdrúxulo. É o mesmo que soltar uma raposa no galinheiro. Quem teria que contratar empresa para dar parecer se a área é ou não ambiental era a secretaria de meio ambiente”, opinou. Entretanto, em 2013, este mesmo procedimento foi adotado na obra da lagoa do Geladinho, na avenida José Falcão, que a prefeitura liberou, já no atual governo.
O vereador Alberto Nery sugeriu que a Câmara também contrate um estudo. A vereadora Cíntia Machado considerou que a secretaria está usando um peso e duas medidas, porque liberou a obra na lagoa e negou licença a outra, da igreja Cristianismo sem Fronteiras, do pastor Josué Brandão, em área também supostamente de preservação no bairro Olhos d’Água.
O vereador Pablo Roberto pediu “providências rápidas, muito mais do que têm sido rápidos os empresários que tocam a obra”. Ele pediu a formação de uma comissão específica para tratar do assunto e obteve do presidente Ronny a promessa de que seria criada.
Na semana passada os vereadores aprovaram a convocação do secretário Maurício Carvalho à Câmara para explicar todas as licenças concedidas, nas lagoas do Geladinho, Prato Raso e Subaé. O comparecimento de Maurício está marcado para a próxima segunda-feira.
