Em uma reunião-relâmpago e sem a presença de vários caciques do partido, o PMDB deixou oficialmente o governo. A decisão veio por aclamação e com gritos contra o PT.
Sem os votos do PMDB, o governo negocia cargos e verbas com outros aliados em troca de voto para salvar a presidente Dilma do impeachment. O governo abriu a negociação.
Três dos seis ministros do PMDB vão ficar no governo, com a presidente Dilma. Na política, essa conta não equivale a 50%. Os governistas estão com um mapa com todos os cargos nas repartições públicas, nos ministérios que estavam com o PMDB. Dá uns 500, 600 cargos. O esforço agora é oferecê-los a outros partidos em troca de apoio e votos favoráveis.
Foi bem rapidinho mesmo. Três minutos. Com grito de protesto e tudo. E estava selado o rompimento do maior partido do Brasil, o PMDB, com o PT. Uma aliança que durou 13 anos.
Mais de 3 horas depois o palácio se manifestou, e reagiu assim: “O que pra nós interessa é que se abriu espaço pra uma repactuação do governo. Alguns já falam até internamente de uma nova fase do governo. Sai um aliado de longa data, mantém-se outros aliados. Até sexta-feira (1º) eu creio que a gente pode dar mais concretude ao termo que eu estou usando de repactuação”, afirmou o ministro-chefe do gabinete da Presidência, Jaques Wagner.
O governo vai usar os cargos do PMDB pra tentar segurar os aliados. Como dizem por aqui, Brasília está em compasso de espera. Parlamentares de partidos que chegaram a cogitar um possível rompimento, uma independência, se calaram. Caso do PP e do PR.
É que as ofertas e os pedidos já começaram. São quase 600 cargos de segundo e terceiro escalão. E 7 ministérios da cota do PMDB.
Por enquanto, 6 ministros continuam nos cargos.
Peemedebistas dizem que Mauro Lopes, da Aviação Civil, e Helder Barbalho, dos Portos, avisaram que vão sair nos próximos dias.
Ainda tem Eduardo Braga, de Minas e Energia, Marcelo Castro, da Saúde, Katia Abreu, da Agricultura, e Celso Pansera, da Ciência e Tecnologia. Que nesta terça-feira (29) foi à Bahia, cumprir agenda oficial. E chegou a dizer que continua governo. “Vou me manter no cargo de ministro e no partido”, disse o ministro da Ciência e Tecnologia, Celso Pansera.
Para os governistas, o que a oposição chama de balcão de negócios com os cargos públicos é bem natural.
“Eu não vejo nada de estarrecedor, de indigno, de sentar à mesa com os partidos, e realmente repactuar a governabilidade, para evitar o impeachment”, afirmou o deputado Silvio Costa (PTdoB-PE), vice-líder do governo.
E aí está o X da questão. O PMDB faria a diferença com seus 68 deputados. O governo precisa de pelo menos 171 votos para barrar o impeachment na Câmara. Processo, que segundo o PT interessa ao PMDB, que em um afastamento, assumiria a Presidência do país com Michel Temer.
“Eu lamento porque é um constitucionalista respeitado nacionalmente, uma pessoa que é considerada um grande jurista, por interesse político, passe a ser o capitão de um golpe parlamentar. Isso acho lamentável e espero que ele não leve até a últimas consequências essa mancha que ele está construindo na sua biografia”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE), líder do governo.
O PMDB diz que é desespero do PT.
“Não é o PMDB ou o Congresso que está derrubando o governo da presidente Dilma, é o governo da presidente Dilma que está caindo, pelas próprias pernas. É cada hora um fato novo, cada hora é um escândalo novo. E o povo brasileiro não está mais suportando”, disse o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).
Michel Temer saiu de cena. Não apareceu em público. E a presidente Dilma desistiu de viajar. Iria aos Estados Unidos, embarcaria nesta quinta-feira (31), para participar de uma conferência sobre segurança nuclear, em Washington.
E está assim, com a agenda cheia de reuniões. E com uma barreira, que não deixa a imprensa se aproximar do Palácio da Alvorada.
O governo tenta seduzir o Partido Progressista, com cargos. O PP tem reunião nesta quarta-feira (30) para decidir que rumo tomar e também está sendo cortejado para ficar ao lado do PMDB. O Palácio do Planalto também pode dar mais espaço para o PR.
Nesta terça-feira (29), num dia de debandada do governo, um senador do PT deixou o partido. Walter Pinheiro, da Bahia, disse que estava insatisfeito com os rumos do governo.
E o governo publicou nesta terça (29) uma edição extra do Diário Oficial, liberando verbas para vários ministérios de projetos de interesse de parlamentares.
E o governo publicou nesta terça (29) uma edição extra do Diário Oficial, liberando verbas para vários ministérios de projetos de interesse de parlamentares.
