A festa da beleza negra teve apoio do Governo do Estado por meio da Bahiatursa, secretarias estaduais de Cultura (Secult) e de Comunicação Social (Secom), além da TVE Bahia. Para o titular da Secult, Jorge Portugal, a iniciativa do Ilê tem importância não só para o grupo, mas para as ações afirmativas de modo geral.
"O Ilê expressa um dos aspectos mais importantes da cultura. O Ilê fez uma revolução [...] sem precisar gritar palavras de ordem na rua, através da afirmação da beleza do negro, da canção, da música e da cultura", enfatizou o secretário estadual de Cultura.
O público marcou presença, fazendo um desfile à parte pelos espaços da Senzala do Barro Preto. Houve quem veio de longe para conferir as batidas dos tambores. "Vim para ver ao vivo tudo o que ouvi falar. As meninas, as danças e principalmente a música. As meninas são todas lindas, inclusive as que não estão no palco", disse Mila Fröhlich, turista carioca que mora há alguns anos na Alemanha e trouxe amigos europeus para conhecer a festa.
Vovô do Ilê, presidente da organização, destacou o significado da noite e a luta do grupo para fazer o concurso resistir há quase quatro décadas. "Esse é um evento pré-carnavalesco muito importante para nós [e] para a cidade. A gente encontra muita dificuldade, mas o povo negro sabe que a noite da beleza negra é uma festa que nós fazemos com muito esforço para que cada vez tenha mais qualidade".
Cultura e tradição
Música, teatro, dança, poesia e outras manifestações culturais se misturaram no espetáculo assinado pelo diretor Elísio Lopes Júnior. Os músicos da tradicional Chegança dos Marujos de Saubara iniciaram a festa com o toque do Recôncavo ainda do lado de fora da Senzala do Barro Preto. Convidados como Raimundo Sodré, Regina Casé, Roberto Mendes, Carla Visi, Ana Mametto e Luiz Miranda continuaram a celebração no palco, homenageando o Samba e a cultura do Recôncavo.
