VEREADOR ALBERTO NERY FALA DA CRISE DO SISTEMA DE TRANSPORTE PÚBLICO DE FEIRA DE SANTANA

O líder da bancada de oposição, vereador Alberto Nery (PT), nesta segunda-feira (17), utilizando a tribuna da Casa da Cidadania, chamou atenção para a situação enfrentada pela população e rodoviários por conta, entre outras coisas, da paralisação do transporte coletivo urbano de Feira de Santana.

Alberto Nery, que também é presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Feira de Santana (Sintrafs), falou sobre a luta que vem sendo travada para solucionar o problema dos trabalhadores. “Companheiros rodoviários, quero parabenizar cada um de vocês por estarem aqui nesta manhã. Eu estou, assim como vocês, sofrendo nesses últimos meses sem conseguir dormir direito, preocupado. Durante esses últimos seis meses, nós temos buscado, de forma incansável, tentar resolver os problemas dos trabalhadores”, disse.

Para o petista, as questões trabalhistas são o principal motivo de preocupação. “Essa questão de emprego não é a questão chave do nosso processo, a situação é de que nós temos companheiros que tem 28 anos de empresa e poderão ter os seus direitos subjugados, não reconhecidos pelas empresas e não serem pagos, isto porque o poder público municipal não tem se debruçado para resolver a nossa questão”, avalia.

O vereador pediu ao presidente da Casa da Cidadania, Reinaldo Miranda – Ronny (PSDB), que formasse uma comissão para ajudar os trabalhadores rodoviários na busca de seus direitos. “Aproveitando a presença, quero pedir a esta Casa que, de imediato, forme uma comissão para, se ainda existir tempo, resolver o problema dos nossos colegas”, solicitou Nery.

Na oportunidade, o edil falou sobre o processo licitatório para contratação de empresas do transporte coletivo urbano. “Houve uma determinação suspendendo a licitação na sexta-feira e, para nossa surpresa, o mesmo juiz cassa a sua liminar. Quem conhece um pouco do Judiciário sabe que uma decisão de primeira instância só poderia ser derrubada por uma ação de segunda instância. Qual alegação que ele faz? Ele diz que a empresa que não foi habilitada, tem tempo hábil para se manifestar nos autos. A empresa Lins questionava balancetes, se há uma denúncia de irregularidades, de fraudes, poderia ter suspendido e encaminhado ao corpo técnico para dar um parecer à denúncia que estava aqui elencada; desconheceu a denúncia, a empresa tentou para que pudesse provar, não foi respeitado nada com relação a isso”, disse.

Carlos Geilson

O vereador Alberto Nery fez duras críticas ao radialista e deputado estadual Carlos Geilson (PTN) por este ter declarado, segundo o petista, que o Sintrafs teria se omitido em relação à defesa dos direitos trabalhistas dos rodoviários.

De acordo com o edil, em momento nenhum o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Feira de Santana foi omisso. Ele afirmou que o Sintrafs buscou resolver a situação dos trabalhadores junto às empresas, Ministério do Trabalho, Ministério Público Federal e poder público.

“O Ministério Público Federal chamou as empresas e fomos às ruas. Esse mesmo político e radialista, Carlos Geilson, na época, repudiava a manifestação dos trabalhadores. Esse mesmo tenta acusar como se a representação fosse omissa. Omisso foi o prefeito de Feira, que deveria cobrar o pagamento da previdência, a Prefeitura permitiu que empresas continuassem rodando sem comprovar esses documentos. Esta Prefeitura que é responsável por isso, que permitiu o monopólio para agora está acontecendo essa situação”, disse o petista, reiterando que tem compromisso com a classe trabalhadora.

Para Nery, a informação de que os veículos não têm condição de circular por falta de combustível é uma manobra das empresas. “Recebemos a notícia na manhã de ontem que as empresas não iam operar, porque não tinham óleo diesel. Isto é uma manobra para tentar atingir o prefeito, que não teve a coerência para dar resposta, por isso as empresas resolveram não circular”.

O líder da oposição garantiu que não medirá esforços para garantir a contratação de 100% dos funcionários que hoje atuam no sistema de transporte, bem como seus direitos trabalhistas.

 “Nós não vamos deixar nenhum carro sair de Feira sem que antes o problema seja resolvido. Já havíamos alertado que era melhor o prefeito se debruçar sobre o nosso caso, se não fizesse, a cidade se tornaria um caos. Ele não procurou ver isso antes e a cidade vive um caos. As pessoas mais necessitadas encontraram dificuldades para irem ao trabalho, não vamos deixar sair nenhum carro até que se resolva. As novas empresas não vão operar até que seja resolvido, e tem que ser garantido 100% de aproveitamento dos trabalhadores. Não vamos permitir que as empresas do Sul venham e digam que só vão aproveitar 70% dos trabalhadores”, disse.

Em aparte, o vereador Edvaldo Lima (PP) parabenizou o discurso de Nery e queixou-se da falta de transparência da presidente da Comissão de Licitação, Adriana Estela.

“Quero parabenizar o discurso em defesa dos trabalhadores da cidade de Feira de Santana. Quero deixar claro de que a diretora de licitação da Prefeitura é incoerente em suas posições”, afirmou oposicionista, salientando que foi mal tratado pela servidora Adriana quando foi em busca de informações sobre o processo licitatório para contratação de empresas do transporte coletivo urbano.

Ele acrescentou: “as informações me foram negadas, mas estará chegando nesta Casa um requerimento para que esta senhora venha aqui dar explicações. Não podemos calar e nem ficar parado diante dessa aberração que o Governo vem implantado. José Ronaldo de Carvalho vai para a história como o prefeito que acabou com o sistema de transporte de Feira de Santana”, criticou Edvaldo.

Dívidas do Município com empresas

O vereador Nery defende que parte da dívida do Município para com as empresas seja repassada  aos trabalhadores. “A Prefeitura deve as empresas R$ 38 milhões, se este crédito existir, que seja bloqueado parte deste processo para pagar custos trabalhistas”, sugeriu.

O edil ressaltou ainda que não há tempo hábil para aprovação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). “O presidente desta Casa afirmou que se fosse criada uma CPI, ele assinaria. Mas em seis meses não conseguiríamos concluir o processo”, informou.

Nery disse que está disposto a conversar com o prefeito José Ronaldo, mas que seja um diálogo aberto e público. “Em nenhum momento me omito, faço questão de que sejam públicas as nossas conversas, pois nunca fui pedir emprego para minha família ao prefeito, quando quero fazer um pedido, faço através de requerimento. Não farei pedido entre quatro paredes, faço parte da bancada estadual e federal, mas nunca fui lá pedir emprego ao governador. Não tenho nenhum filho rodoviário; sou rodoviário, filho de rodoviário e lutarei por esta causa enquanto vocês me credenciarem”, pontuou.

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